Tenho um novo conto pelo meio, mas ontem me ensinaram algo que, mais que conto, deixou-me ao meio, eu mesmo, voltar à crônica para tentar completar-me aqui, diante dos meus semelhantes. Teclávamos das complicações do amor e da política, qual em seus desafios surta as maiores, quando li, de lá, sobre haver muita política no amor, ponto, faço ponto aqui. Sim, ponto, porque parei para respirar, sim, porque trazer-me viva, aos sentidos, tal constatação, ensino que ainda aprendo, por incrível, é acertar-me a testa alheada a seta certeira de que não sei praticá-la, não sei praticar política no amor, ou, por outra, talvez a saiba, mas de tal forma que se torna excessiva, à insegurança geral, por, deveras, deveras, exceção, e não conseguiria, e nem quero, praticá-la de outra forma, amor, como política, para mim, é para libertar, se pratico política no amor é a libertária, da mesma forma quando o fiz na política, desde e neste mesmo ideal. Sim, não é assim que, quase por unanimidade, pratica-se política no orbe, muito menos amor, antes estas práticas seguem, regra básica, os ditames do poder, quero aprender essa lição, para dela não alhear-me tanto, mas não quero, mesmo, praticá-la, sob todos os riscos, sentir-me-ia morto de mim, antes os riscos, e sei que os há, e tantos, trago-os marcados na pele, que seria para não tomá-los de novo, mas, natureza tenra minha, servem mais como histórias para contar aos anjos.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 08:10:44 [ ]
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“Aqui coexistem vários mundos, você escolhe no que quer viver”, ela ouviu a frase e sentou sua dor no meio fio da calçada, sorriam lágrimas ao seu redor, parecia chuva, chuvisco, mas era dentro, uma alegria estampada no marejado dos olhos, ergueu o corpo do descanso pesado na pedra, levantou-se, descruzou os braços, desamarrou o nó que lhe tomava o fôlego nos pensamentos, voltou a respirar, a voz se fora, mas disse, disse o que seus trinta e cinco anos precisavam ouvir naquela noite infindável em suas horas perpetuadas de minutos sofridos, segundos angustiados, nunca mais viveria aquilo de novo, juramento feito à lua, que enevoava-se no céu, buscando por entre o azul escuro vê-la, para que juramento feito fosse juramento cumprido. A cerveja ao lado seguiu abandonada, seus passos deixaram para trás o casco, os dois dedos que poderiam ser o último e longo gole, a espuma repleta de palavras não ditas, agora desnecessário dizê-las, satisfeita com a possibilidade dos vários mundos, da escolha, escolheria depois e logo, agora não, agora só andar pela madrugada assustando de si os temores das impossibilidades, onde jazia inerte em si, este si destituído de si mesmo, apenas um arcabouço, alma desatada do corpo e despossuída do espírito, simulacro de gente. Ah, canseira, nem pensar mais nisso, ali à frente estaria o ponto do ônibus, logo amanheceria e a estrada surgiria no seu horizonte, haveria um assento para comportá-la de volta à cidade, desceria a serra com a mochila aliviada, deixaria as roupas e os sentimentos usados, voltaria nua, vestida apenas com a luz que parecia vir do sol, mas, sabia, viajava desde antes, atravessando-o, vinha de onde não existe mas pode existir, conhecera este lugar na infância, apenas esquecera-o e assim ele deixara de ser, pois era de novo, a criança que lhe sorria ao lado confirmava, já vinha assim há umas horas, confirmado sonhos, o povo do lugar tomava-a como desaparecida, mas estava lá, ao seu lado, podia sentir sua respiração angelical



:: Escrito por Silvio Gurjão às 19:07:21 [ ]
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Ela vestiu o pijama porque queria gostar do contato do algodão com os pensamentos do corpo, sentia uma probabilidade de deitar-se e adormecer no aconchego das flores de brinquedo, bichinhos fofos, que cobriam o tecido com a adolescência ainda cabida nos seus anos de adulta, mãe, revelada no sorriso entretido com paisagens róseas e no percurso casto da mão aos cabelos, assiná-los com as lembranças sensuais que os primeiros pelinhos do púbis, nunca depilados, assanhavam nos olhos dos seus anos de sonhadora, ainda tomava doses de romance e aventura, diariamente.  A criança chorou algum pequeno desconforto, rapidamente consolado pela proteção de sua mão, já passava das horas da madrugada, logo seria dia, depois do banho demorado, água fria para despertá-la da longa noite de espera, a escolha do pijama foi aquecedora, a notícia também lhe chegou cálida, desligou o telefone sem dizer palavra, apenas ouviu que dali a poucas horas poderia partir, com a mesma suavidade com que devolveu o aparelho ao gancho, ouviu, porque a voz do outro lado talvez não tenha dito assim, parecia urgente, e urgência não casa com brandura. As cores da puberdade na linha branca que lhe teceu a roupinha de dormir não foram suficientes para manter sua ansiedade agasalhada na cama, as luzes na janela atraíram seu olhar e seu corpo ainda esculpido menina até a visão do mar lá fora, ali dentro, quebrando ondas de água e emoção nos seus olhos, nos seus sentidos mais íntimos, aqueles que não se expressam em órgãos, mas nas sugestões da imaginação, o barco estava lá ancorado, para lhe lembrar do mundo, de tê-lo abandonado e ter sentido sua falta. Teve o bebê sozinha, não sabe como, momentos houve que se sentiu acompanhada, luzes atravessaram-lhe a consciência com cuidados que não sabia de onde vinham, mas que pareciam providência, um milagre, cada ato seu conduzido por mãos invisíveis, instruções que só o coração podia ouvir, contaria tudo para alguém assim que pisasse em terra, do outro lado da baía, não sabia para quem, mas contaria, talvez para um desconhecido qualquer, quase tudo, na verdade, não iria querer passar por louca, e choraria, choro que até agora não chorara, contido pela tensão ainda resistente nos músculos e nervos e pela necessidade de manter-se alerta, havia agora um ser que lhe precisava de todos e mais alguns cuidados, era capaz apenas de respirar, dormir e mamar, um inocente que viera à luz quando a luz parecia ter desaparecido de sua vida. Quando clareasse, soltaria das cordas a proa do barco e seguiria, devagar, à vela e vento, para dar tempo dos sentimentos precoces de mulher e mãe acompanharem-na, de volta à cidade, cerca de vinte milhas náuticas em linha reta, de onde saíra para se isolar, esconder-se de si mesma, retornaria àquele pedaço de chão desinteressado da civilização, mas desta vez para integrar-se, a biologia marinha era sua paixão, a ilhota um paraíso de corais, para proteger e estudar, o emprego agora necessário, uma menina para criar, a tempestade pegou-a desprevenida, o nascimento de Bela também, esperava para depois, duas semanas, a gestação mais curta talvez pelo inusitado de sua gravidez, ainda não pensava sobre isto, mas um dia teria que contar para a filha sua história, como, virgem, engravidara de um ser que desceu do céu, amou-a como homem e sumiu num feixe de luz.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 16:50:32 [ ]
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Chuva, ontem à noite sentei aqui para ver com palavras, na cadeira que vê lá fora o céu, dentro a tela, meu espelho em letras, mas, vontade do céu, vontade da tela, calou-se na quinta linha o texto, talvez sentimento para ficar comigo, apenas, conversei-o rapidamente com uma amiga, e só, sol hoje, ainda não tenho um lugar no sítio para plantar o Baobá, permanece aqui na varanda dos primeiros raios do dia, dos pés de passarinho, oitavo andar do edifício dos querubins, terá o seu lugar, surgirá, como uma visão, tudo tem o seu lugar, desde Utopia à Terra, o ideal e o possível, afinal, tudo sonho mesmo, apenas percepções da mesma realidade, criamo-la em nós, dentro, e acreditamo-la fora, espelho, o céu como testemunha, silenciosa, mas solícita quando solicitada, é preciso apenas saber ouvi-la, pode se fazer dizer nas palavras que se calam ou no silêncio que fala, daqui, desta cadeira, procuro, entre textos silentes e silêncios textuais, o meu lugar.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 07:56:42 [ ]
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Tudo para existir aqui, nesta realidade, tem que ter nome e forma, mas há outras realidades onde isto não se exige, estes dias estive na serra com amigos, que têm nome e forma, celebramos os dias com antepastos, pastos e vinhos deliciosos, tudo com nome e forma, nomes que, inclusive, dão-lhe origem, à comida, vegetariana, integral, quase tudo orgânico, parte recém-colhida da horta, feita com carinho, tudo afeto, tenho um par em mim, da realização de dois ímpares, eu um, o casal completa-se, por enquanto, noutra realidade, ainda não tem nome e forma a parceira, mas já existe o carinho, afeto que é o mesmo com que me relaciono com a vida, espírito livre que sou, que começa com o reconhecimento das qualidades de cada ser, por isto a referência à condição ímpar de cada um do par, e completa-se com a compreensão de que para ser é preciso interser, por isto o par como condição à realização do ímpar, montanha e vale, assim é o lugar que cuido no alto da serra, eles se complementam, nome e forma, mas além destes, como um sentimento, amor.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 07:38:03 [ ]
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Acabou-se o que era doce, a copa, para uns, para outros amargo, gosto que não desgosto, até gosto, azedo não gosto muito, vinho é o tinto, chocolate é o amaro, café, quando bebo, com tapioca, cuscuz, sem açúcar, assim vai, e assim vêm de volta os times, quatro anos, sem pressa, todo ano é vida, até dois mil e catorze, em terras brasileiras, com ou sem o Morumbi, polêmica, polêmicas que manterão na mídia o assunto pelos quarenta e oito meses seguintes, sociedade do espetáculo, já fomos “ser”, depois “ter” e agora “parecer”, aparecer, no popular, penso que estamos ficando pobres, nossas mentes, já não tratamos de idéias, ainda comentamos fatos, mas, cada vez mais, dedicamos nossa atenção a falar sobre pessoas, ou das pessoas, menos de suas idiossincrasias, o que ainda poderia ser uma abordagem psicológica ou antropológica, e mais, muito mais, dos aspectos aviltantes, perversos mesmo, violência, de seus comportamentos, até nos divertimos com isto, tem vendido bastante, talvez o que mais venda hoje em termos de audiência, a Holanda pareceu jogar muito para o seu público, o trauma do seu público, talvez por isto tenha esquecido um tanto a bola e apelado para a violência, terminou trivice-campeã, onde terminaremos nós, com a nossa?



:: Escrito por Silvio Gurjão às 08:11:20 [ ]
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Hoje o último jogo do que ainda resiste, por obra e graça do afeto do torcedor, como a maior festa do futebol, que já foi futebol-arte, hoje de resultados, como reza a cartilha do pragmatismo, doutrina capital desta época da matéria, ou doutrina material desta época do capital, da copa para a cozinha, minha panela de barro rachou, fogo demais, como paixão demais, que racha a fragilidade das emoções humanas, não tem feijão verde melhor do que o feito na argila, esperar a próxima feira aqui na Igreja do Mucuripe, povo e peças de Cascavel, cidade litorânea do Ceará, é isto, além disto, experimentar cozinhar o grão noutra superfície, verbo, experimentar, que é a própria condição da vida, gosto de cozinhar, verbo viver, sem receitas, alquimia de cheiros e sabores, mais ainda acompanhado, compartilhando o pé do fogão, as mãos dos temperos, com música, sorrisos e comentários leves, um copo de vinho quando bem acompanhado, por sonhos, amigos, amante, vida que se compraz simples, pede pouco, por rica, onde riqueza não é resultado, não segue cartilha, tem a matéria apenas como meio, seu capital é o afeto.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 09:46:46 [ ]
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Meu toca-discos voltou a funcionar, ouvi vinis que estavam guardados e o que estava guardado com eles se fez ouvir em mim, hoje vou a uma festa anos oitenta, de repente não sei mais quando estou, vivo nos sentimentos de vários LP, CD, MP3, tudo como uma só mídia, tudo como um tempo só, pelos olhos da minha mente, de uma vez e indissociáveis do momento, todas as paisagens onde ouvi, falei, cantei, dancei, comi, sonhei, amei, seus personagens e atos, tudo no ano dez, mês sete, dia nove, sete e cinquenta e três, céu que me traz à memória o azul, sol que me o mostra, cor, as cores, todas, luz que se decompõe para sê-las, tempo que decomponho para sê-lo, no calendário, nas horas, mas que não passa de memória, que não é quando, é onde, onde posso trazer-me a qualquer instante, como agora, agora vou sair, no técnico para consertar um mau contato no left do toca-discos, no conector RCA que o liga ao som, que, sorte, não funciona mais em suas outras funções mas manteve intacta a phono, agulha beleza também, as caixas de três vias continuam potentes, festa para celebrar.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 07:56:18 [ ]
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Um tela na mão e uma idéia na cabeça. Captar imagens que passam pelo meu olhar, capturá-las desse olhar e torná-las em letras, sequência de palavras, roteiro de um sentimento, mas, ainda que ontem à noite, ouvindo vinil com uma amiga, vários sentimentos tenham me chegado como idéias que preenchem tela, hoje acordei em branco, talvez porque olhando para mim, atrás de ver o que tem atrás de mim, a lua está minguante, dia onze lua nova, a lua atrás da Terra, totalmente, plenamente à sua sombra, sombra, o que está atrás, onde a luz não chega, mas move marés, até ressacas, ontem fui dormir assim, maré alta, ondas, “Não Temas o Mal”, livro da Eva Pierrakos, abro, diz “(...) muitas pessoas não têm sequer a consciência de qualquer dor, passada ou presente. Elas sempre desviam o olhar”, eu quero ver, com toda a força da consciência que tenho, empenho-me nisto, e com muito empenho, ontem vi a Espanha vencer uma Alemanha que permaneceu à sua própria sombra, dor presente (inconsciente), foi a copa toda um novo estilo de futebol, alegre, solto, mas caiu presa na (e da) defesa, novamente, talvez por ter negado a dor, passada, de ter perdido a Eurocopa para a Fúria, desviou o olhar.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 09:23:46 [ ]
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O contrário de paz não é guerra, mas estagnação, I Ching, guerreiro é aquele que toma da sua verdade para enfrentar situação, não luta contra ninguém, seu adversário é uma condição que ajusta, com o sucesso e com a derrota, guerreiro cai de pé, com dignidade, como o time do Uruguai, meu pai, dizia-me, teve, quando criança, um carneirinho, um dia, ele grande e gordo, levaram-no comida, minha amiga Conceição Senna, no seu livro “A Menina, a Guerra e as Almas”, reminiscências de sua Canudos que começo a ler, diz que também teve um carneirinho, ainda não cheguei a desfecho mas já temo pelo destino do bichinho, temo pelo destino de Canudos, quantas haja, pelo destino dos inocentes, que acreditam, guerreiros, que sonho é um olhar puro para a realidade, carneirinho é carneirinho, não é paleta, neck, short rack, carré, lombo, bisteca, filé mignon, picanha, pernil, costela, estes são cortes da gula, do desejo mais cru, entidade da ânsia de saciar reles apetites, olhar do vício, sem verdade alguma, latitude da estagnação, antes a guerra, salve os guerreiros!



:: Escrito por Silvio Gurjão às 07:18:51 [ ]
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Há os que são “índigo”, pessoas que parecem vir, ser, de outra realidade e que não se rendem ao modus operandi do mundo, foi há pouco, dei bom dia, sem resposta – sem olhar, sem boca – , abri a porta do elevador para o casal e a filha, ele, à frente, silêncio ríspido, não aceitou, indicou, educação forçada, formal, com a cabeça que eu poderia entrar, entramos todos, ele, quase colado à porta, à indiferença rude, se postou de costas, deu as costas(!), para mim, sua própria esposa e sua filha, pequena, criancinha linda, a mulher comentou um sujo de graxa que não sairia de sua (dele) camisa, ele pigarreou alto e brusco e continuou ativo no seu modus operandi, juro, não conseguiria viver assim, não me rendo a viver socialmente, relacionamento familiar, amoroso, sob as condições que se manifestaram no elevador, ou semelhantes, ademais, sou romântico, família para mim é (seria, porque um ideal de flores em tempos de espinhos) respeito, atenção, no mínimo, amor para mim é (seria, idem), também no mínimo, o mesmo, somado o que se move no corpo e na alma como paixão, hoje joga o Uruguai, que não se renda ao modos operandi da Holanda, nunca vi tanta mis-en-scène, catimba mesmo, num time na copa do mundo.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 13:31:08 [ ]
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Parahyba e Cia Bate Palmas ontem no pôr-do-sol, palmas! Palmas, de Palma, Palmeira, Conjunto Palmeiras, comunidade com moeda própria, a Palma, Parahyba, artista e educador, herói da resistência, resistir, verbo da vontade, crença no substantivo da vida, vida, caminho do encontro, com seus desencontros, descaminhos, herdei de mim uma “natureza selvagem”, a mesma do personagem do filme com mesmo nome, que, intrigado, inconformado, com o mal, o aspecto do mal na sociedade, na humanidade das pessoas, resolve, desiludido, resistir, selvagem, inocente, inocentemente, ingenuamente, na Natureza, o bem, je suis un enfant, j’aime comme les enfants, palavras em francês, porque dizem melhor nesta língua, que repito, que já repeti aqui, neste blog de cotidianos impróprios para menores de sensibilidade, frase que poderia ser meu slogan, se fosse eu um sentimento à venda, meu bem, meu mal, este último o veneno que, por condição humana, me acompanha, veneno que matou o personagem do filme, e que se chama ignorância, não saber dar o nome certo às coisas.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 07:38:57 [ ]
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Seguir, verbo intransitivo, o caminho, os pés o farão na grama, festa de aniversário de uma amiga, a mesa se organiza segundo leis internas, aproximações e distâncias, mobilidades, como na vida, energia e consciência que seguem fluxo onde os sentidos mal percebem alguma coisa, algo a partir do sexto, mas desacreditado pela educação formal dos cinco primeiros, sorte, então, acaso, por acaso a bola bateu duas vezes nos travessões do gol do Paraguai e entrou, talvez agora seja o momento da Espanha, realizar seu potencial futebolístico, ganhar uma copa, sinto em mim um potencial por realizar, até agora bolas na trave, sem entrar, sigo, meu sexto, que parece ter sobrevivido, parte que o seja, aos apelos materiais da realidade, cutucando-me, desde o último lance perdido, com sensações abstratas, abstraídas em mim, por isto indizíveis, mas que venho ouvindo como chute a gol, ainda que ainda haja, no campo, obstáculos a transpor, toda uma defesa, empedernida, mas cada vez mais pesada, cada vez mais incapaz de me alcançar, pés firmes no chão, olhos na meta, talvez agora seja o meu momento.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 07:12:18 [ ]
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São assim meus caminhos, tortuosos, vez por outra sobro numa curva, mas vão se aprumando, passei estes últimos dias, aqui comigo, e vozes amigas, duas desta dimensão e quantas doutras, superiores, mestras, colocando prumo, como bom pedreiro, operário dos dias, céu anil hoje, sombra, mas o sol começa a atravessá-lo, luz, já iluminando o passarinho ali, chamo azulzinho, pousado no ramo da árvore plantada na jardineira da minha varanda, oitavo andar, onde andará o outro? só andam em casal, os azuizinhos, tranquilos em si, silenciosos, não deve estar longe, longe é lugar onde colocamos distância, sinto-me mais próximo de mim, luz e sombra, casal, atravessando, nesta tempestuosa busca do ser, perdas e danos, um novo portal, o Brasil perdeu, danos ao nosso futebol, mas continuamos no jogo, com suas vitórias e derrotas, por aqui também voam os amarelinhos, pequenitos, bem menores que os outros, mas cantam lindamente, cada um com sua beleza, o azul com sua presença silente e o amarelo com sua suavidade cantante a me ensinarem a verdadeira alegria, viva o Brasil, terra de gente contente, feliz!



:: Escrito por Silvio Gurjão às 08:31:45 [ ]
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Vende-se sensibilidade, empresta-se, até se dá, mesmo pago para quem receber, sim, sou eu quem oferece. Saiba, quem a receber, que propicia momentos criativos, mas também condições de susceptibilidade, a vida é forte em sua capacidade criadora, mas para manter-se revela-se frágil, hoje choveu aqui, quase na linha do Equador, no meio da Terra, bem no meio dos meus olhos, eles encheram-se de água, chuva real que encanta o horizonte com paisagens surreais, para nós, daqui, semi-árido, ainda que na serra seja úmido, a meros cento e cinquenta quilômetros de Fortaleza, Mata Atlântica, mantenho lá um lugar que consagrei a Francisco, Irmão Sol e Irmã Lua, à Vida, criação e fragilidade, proteção aos animais, aos vegetais, aos minerais, seus entes, reais e surreais, sensíveis e susceptíveis como eu, sentimentos sutis que se expressam na poesia dos pés na terra, até adentrando-a, do vôo, diversidade de asas, do nado, mergulho, na água, no ar, guelras que querem experimentá-lo, do papel e da tela, estes dois meus cantos de expressão, ainda que, acredito, escrevo-os melhor, versos, mesmo que assim não expressos, possíveis de lidos, com o sentido, sétimo, que, simples em si, apenas olha e vê... beija-flores, pirilampos, dia e noite, o verde da vida dourado de sol e platinado de lua.



:: Escrito por Silvio Gurjão às 17:52:43 [ ]
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